Alguns nomes protobolsonaristas

Agradeço as informações do Mário Júnior, do Moysés Filho e do Bruno Cintra, que usei nessa publicação.

Eu estava conversando esses dias sobre o bolsonarismo, e lembrei que o antecedente direto, que eu chamo de protobolsonarismo, foram alguns políticos e figuras da mídia dos anos 80 e 90 que, logo depois do fim da ditadura, começaram a fazer um discurso que capitalizava a parcela da população que não aceitava o consenso democrático que se formou na época entre a direita (PFL, PPB, PMDB etc) e a esquerda (PDT, PV, PT etc). Como a ditadura estava muito desgastada, esses caras conseguiam boas votações para deputados mas, não conseguiam ter força pra chegar ao poder executivo. Isso mudou com a crise no Brasil após 2014, em que a esquerda era a vidraça, como todos sabemos. Vou dar cinco exemplos aqui.

Afanásio Jazadji

Ele era radialista, com muita audiência, tanto que teve meio milhão de votos em 1986, na primeira vez que foi eleito. Além de fazer o discurso a favor da violência policial e contra as instituições em defesa dos direitos humanos, também ficou famoso, no auge da pandemia da AIDS, em fazer a associação entre homossexualidade, AIDS e doenças mentais.

Delegado Sivuca

Foi o verdadeiro criador da frase “bandido bom é bandido morto”, que muitos atribuem ao Bolsonaro. Era ligado ao grupo de extermínio Scuderie LeCoq e um dos carros-chefe da campanha dele era a defesa da pena de morte.

Luiz Carlos Alborghetti

Não era político, foi apresentador, primeiro do Cadeia Nacional, depois do 190 Urgente, onde o Ratinho era repórter. Foi um dos mais famosos dentro do jornalismo sensacionalista pingando sangue, e ficou conhecido porque batia com um cassetete na mesa, pra demonstrar raiva.

Newton Cruz

Foi envolvido diretamente no SNI da ditadura e é uma figura da extrema-direita militar, mas teve uma carreira política também, incluindo a candidatura para governador do Rio de Janeiro em 94, quando teve 14% dos votos, com um discurso acusando o Brizola de defender bandido, que se tornou comum na política do estado.

Wilson Leite Passos

Não cabe muito bem aqui, porque ele é da extrema-direita de um período anterior (por exemplo, redigiu o pedido de impeachment do Getúlio Vargas) e era mais à direita que os outros daqui (defendia abertamente políticas de eugenia, era antissemita etc). Mas teve uma carreira parlamentar que chegou até o começo do século XXI e trouxe temas que depois ficaram populares na extrema-direita, como a ideia de que as ONGs querem tomar a Amazônia. Infelizmente, não consegui achar vídeo dele.

Esqueci alguém? Você lembrou de outra figura dessas? Fala aí nos comentários!